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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Poeta do dia: Alexandre Morais



Interrogando Brotas


Quem te vê não se sustenta
E chora por te ver, Brotas
Sem beber água das grotas
Morrendo aos poucos, sedenta.
Quem já pensou nesse mundo
Avistar teu porão fundo
Já ressecado e sem vida?
Ver as portas das comportas
E tantas espécies mortas
Sobre a terra ressequida?

Quem já viu, quem já pensou,
Que tu, gigante do rio,
Perderia pra o estio
De quem tanto já ganhou?
Quem já pensou que um dia
O teu solo serviria
Ao solado dos humanos,
Negando vida aos aquáticos
E aos reflexos lunáticos
Como fez por tantos anos?

Em teu leito caudaloso,
Quantos seres habitaram,
Quantas aves revoaram
Em ritmo harmonioso?
Quantas aves sucumbiram
Enquanto outras partiram
Em conjunta revoada?
Ver-se agora solidária
Uma garça solitária
Sem sentir graça de nada.

Quem já pensou, oh gigante,
Ver-te assim tão reduzida
Profundamente abatida
Qual enfermo ofegante?
Quem provocou o estrago
De te resumir a lago
De águas turvas e parcas
De um resto de Pajeú
Que expõe a olho nu
Tuas mais profundas marcas?

Eu bem sei, não me respondes
Pois como sábio, contrito,
Ao invés de dar um grito
No bom silêncio te escondes.
Junto meus prantos aos teus
E deposito em Deus
Minha profana incerteza
De não procurar culpados
E de rogar resultados
Só à santa natureza.

Alexandre Morais, 05/09/13

3 comentários:

Anônimo disse...

gostei de joao pedro

Anônimo disse...

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