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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Centenário de Cancão

Quem foi JOÃO BATISTA DE SIQUEIRA?


João Batista de Siqueira, poeta popular mais conhecido por Cancão nasceu em São José do Egito, a 12/05/1912. Em 1950, deixou de participar de cantorias de viola e dedicou-se apenas à poesia escrita. Sua obra já foi classificada pelos críticos como uma versão popular à poesia de poetas românticos como Castro Alves, Fagundes Varela ou Casimiro de Abreu.



Freqüentou a escola por pouco tempo (“não cheguei ao segundo livro”) e foi, também, oficial de Justiça em sua cidade, onde morreu a 05/07/1982. Livros publicados: “Meu Lugarejo”, ”Musa Sertaneja” e “Flores do Pajeú”. Folhetos de Cordel de sua autoria: “Fenômeno da Noite”, “Mundo das Trevas”, “Só Deus é Quem Tem Poder”.



* * *



O INCÊNDIO


Sobe ao lado direito da ladeira
Turbilhão de fumaça espiralada
A labareda se eleva acompanhada
Do estalo ruidoso da madeira



Animais se dispersam na carreira
No bafo sufocante da queimada
Passa a ave piando embaraçada
Da quentura que atinge a mata inteira



Lavas cruzam, volteiam, se embaralham
Se misturam, mergulham, se esbandalham
Numa fúria de demônios poderosos



Já tudo devastado, apenas brilha
O braseiro, que ainda se enrodilha
Crepitando nos troncos resinosos



* * *



ABANDONO


Não quero mais o teu amor, perjura
Não me seduzas, coração fingido
Repara, vê como eu estou ferido
Por teu sorriso de voraz ternura


És como a cobra ao sentir bravura
Das criaturas que já tem mordido
Em teu espírito há um mal contido
Pra teu veneno não existe cura


Foge pra longe com os teus encantos
Enxuga noutro teus malditos prantos
Não me atormente com teus falsos ‘ais’



Esquece os tempos que jamais revivem
Deixa eu viver como as aves vivem
Por minha vida não pergunte mais.





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